O que fazer na Comporta com crianças
Praia, surf, alpacas, passeios de bicicleta, cavalos e golfinhos: ideias…
A Costa Vicentina é um daqueles lugares que me dá sempre vontade de continuar pela estrada fora.
A cada curva parece surgir outra falésia, outro caminho entre as dunas ou mais uma praia a receber a ondulação do Atlântico. Há praias amplas e muito expostas, enquanto outras ficam protegidas dentro de pequenas baías.
É esta variedade que torna o surf nesta costa tão especial. E é também por isso que nunca recomendo escolher uma praia apenas com base numa fotografia ou num número que aparece numa previsão de surf.
Depois de vários anos a surfar e a ensinar ao longo da costa alentejana, o meu principal conselho é simples: observa o mar com calma, escolhe condições adequadas ao teu nível e, quando tiveres dúvidas, pergunta a alguém que conheça bem a zona. As condições podem mudar rapidamente nesta costa, por isso prepara-te para mudar de praia, alterar os planos ou simplesmente não entrar na água quando o mar não te transmitir confiança.
O nome Costa Vicentina é utilizado de formas ligeiramente diferentes.
As entidades oficiais de turismo usam-no, geralmente, para designar a costa entre Odeceixe e Burgau, enquanto o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina se estende mais para norte, desde São Torpes até Burgau.
Neste guia sigo um percurso de surf mais abrangente através do Parque Natural, começando em São Torpes, perto de Sines, e terminando nas praias da zona de Vila do Bispo.

Praia | Zona | Geralmente mais indicada para | Características | Principal cuidado |
São Torpes | Sines | Iniciantes a intermédios | Acessível e variada | Rochas em algumas zonas |
Malhão | Vila Nova de Milfontes | Intermédios e avançados | Aberta e exposta | Ondulação forte e correntes |
Odeceixe | Aljezur | Iniciantes e intermédios | Praia junto à foz do rio | Canais que mudam |
Arrifana | Aljezur | Iniciantes a intermédios | Baía abrigada | Muita gente nos dias bons |
Amado | Carrapateira | Diferentes níveis | Praia com forte cultura de surf | Muito movimento no verão |
Bordeira | Carrapateira | Intermédios e avançados | Muito ampla e exposta | Correntes fortes |
Cordoama e Castelejo | Vila do Bispo | Surfistas experientes | Selvagens e potentes | Ondulação, rochas e marés |
Importante:
Nenhuma praia tem um nível de dificuldade fixo. A ondulação, o vento, a maré e os bancos de areia podem alterar completamente as condições em poucas horas.
Viajas com pessoas que não fazem surf? Odeceixe, Arrifana e Amado estão entre as opções mais fáceis de combinar com algum tempo de praia, uma refeição ou uma visita a uma aldeia próxima.
São Torpes é uma das zonas de surf mais acessíveis do norte da costa alentejana.
A praia é extensa e tem diferentes zonas, com vários tipos de onda consoante a ondulação e a posição dos bancos de areia.
Nos dias adequados, as escolas de surf locais utilizam determinadas zonas para dar aulas, enquanto outros picos podem ser mais interessantes para surfistas com maior experiência.
É uma primeira paragem prática para quem viaja para sul a partir de Lisboa, Comporta ou Sines.
Mais indicada para: uma introdução acessível ao surf na costa alentejana.
A ter em atenção: as rochas e o facto de as condições poderem variar bastante ao longo da praia.

O Malhão tem um ambiente mais selvagem e exposto.
A dimensão da praia proporciona bastante espaço, mas também pode tornar a leitura do mar mais difícil. Os diferentes acessos levam a diferentes zonas da praia e as condições podem variar bastante entre elas.
Em dias de ondulação mais pequena e ondas limpas, surfistas intermédios podem encontrar bons picos.
Quando a ondulação aumenta ou as correntes se tornam mais fortes, é uma praia mais indicada para surfistas confiantes e experientes.
Mais indicada para: surfistas que se sentem confortáveis a ler as condições de um beach break aberto.
A ter em atenção: correntes, rebentação forte junto à costa e zonas mais isoladas onde pode não existir assistência por perto.
Odeceixe é uma das praias mais características deste percurso.
O rio encontra o oceano junto à aldeia, criando uma paisagem onde o ambiente marítimo e fluvial se encontram.
O lado do oceano pode oferecer ondas acessíveis quando as condições estão pequenas e organizadas.
Ainda assim, as praias junto à foz de um rio exigem atenção especial, porque os canais, os bancos de areia e o movimento da água podem mudar rapidamente.
Mais indicada para: iniciantes acompanhados por um instrutor e surfistas intermédios em dias adequados.
A ter em atenção: correntes perto da foz do rio e zonas reservadas a banhistas durante o verão.

A Arrifana encontra-se numa baía impressionante, rodeada por falésias altas.
A sua localização proporciona maior proteção do que muitas das praias abertas da costa oeste, o que a torna uma opção popular quando as praias mais expostas estão a receber demasiada ondulação.
A zona de areia da baía pode ser adequada para iniciantes e surfistas em progressão nos dias mais pequenos.
As zonas de reef mais avançadas não devem, no entanto, ser vistas como o passo seguinte natural para quem ainda está a aprender.
A principal desvantagem da Arrifana é a sua popularidade. Nos dias com boas condições, pode haver muitos surfistas dentro de água.
Mais indicada para: iniciantes acompanhados por um instrutor e surfistas em progressão.
A ter em atenção: picos muito concorridos, estacionamento e zonas de reef mais exigentes.

A Praia do Amado é uma das praias de surf mais conhecidas da Costa Vicentina.
A sua longa ligação ao surf, a facilidade de acesso e a variedade de picos tornam-na uma paragem interessante para quem está a explorar a região.
Existem várias escolas de surf a operar regularmente nesta praia e diferentes zonas podem adaptar-se a diferentes níveis.
No entanto, o facto de uma praia ser popular entre iniciantes não significa que seja sempre fácil.
Uma ondulação atlântica maior pode tornar o Amado bastante exigente e, durante o verão, há também mais pessoas dentro de água.
Mais indicada para: diferentes níveis, desde que seja escolhido o pico adequado.
A ter em atenção: line-ups concorridos, zonas utilizadas por escolas de surf e alterações das condições ao longo da praia.
Estas praias representam o lado mais selvagem e exposto da Costa Vicentina.
A Praia da Bordeira é extremamente ampla, sobretudo durante a maré baixa. A sua dimensão impressiona, mas as correntes, as remadas longas e os picos que mudam podem tornar a leitura do mar enganadora.
Mais a sul, a Cordoama e o Castelejo encontram-se junto às impressionantes falésias da zona de Vila do Bispo.
Estas praias recebem regularmente ondulação atlântica com bastante força e podem oferecer excelentes condições para surfistas experientes.
Não são praias que eu recomendaria a alguém que ainda está a aprender a identificar correntes ou que ainda não controla a prancha de forma autónoma.
Mais indicadas para: surfistas experientes à procura de condições atlânticas mais expostas.
A ter em atenção: ondulação forte, correntes, rochas e alterações da maré junto às falésias.

Estação | O que esperar | Geralmente mais indicada para |
Primavera | Ondulação variável, temperaturas mais amenas e menos visitantes | Diferentes níveis, desde que exista flexibilidade |
Verão | Mais períodos com condições acessíveis para iniciantes, mais pessoas e vento à tarde | Iniciantes e viagens de surf descontraídas |
Outono | Ondulação mais consistente e, muitas vezes, boas janelas de surf | Surfistas intermédios e avançados |
Inverno | Condições atlânticas maiores e mais potentes | Surfistas experientes |
Não existe uma única melhor época para toda a gente.
Os iniciantes precisam, geralmente, de ondas mais pequenas e organizadas e de vento mais fraco.
Já os surfistas mais experientes podem preferir a consistência do outono ou a força das ondas de inverno.
Uma previsão de surf é útil, mas não conta a história toda.
Antes de escolheres uma praia, verifica:
Antes de entrares na água:
Observa o mar durante pelo menos 10 a 15 minutos. Procura correntes, percebe onde as ondas estão a rebentar de forma consistente e observa se os surfistas estão a ser arrastados lateralmente.
Quando tenho dúvidas, prefiro sempre escolher a opção mais abrigada. Haverá outra oportunidade para surfar uma praia maior ou mais exposta.
Sim, mas apenas escolhendo a praia e as condições certas.
Um iniciante completo não deve escolher um spot de surf apenas com base numa aplicação.
Um instrutor local qualificado pode escolher a zona mais segura da praia, identificar as correntes e disponibilizar o equipamento mais adequado.
Quem está alojado mais a norte, nas zonas de Lisboa, Tróia ou Comporta, também não precisa necessariamente de conduzir para sul para ter a sua primeira aula.
Na Imagine Surf School, as nossas aulas de surf decorrem principalmente na Praia do Pego, na Comporta, e são marcadas de acordo com a maré, o vento e as condições do mar.
Trabalhamos com instrutores certificados, grupos pequenos e equipamento adaptado a cada aluno.
Embora a Praia do Pego não faça parte do percurso pela Costa Vicentina apresentado neste guia, é uma excelente praia para surfar se também estiveres a visitar a região da Comporta, sobretudo para iniciantes, famílias e para quem procura uma introdução ao surf segura e descontraída.
Mesmo no verão, a água do Atlântico pode parecer fria, especialmente durante sessões mais longas.
Antes de viajares, recomendo que confirmes que tens:
A Costa Vicentina é lindíssima, mas muitas das suas praias são remotas, expostas e fazem parte de uma paisagem protegida.
Estas praias não são apenas destinos de surf.
São também locais de trabalho, habitats naturais e fazem parte da vida das comunidades locais.
São Torpes e Porto Covo
Verifica as condições em São Torpes e entra na água apenas se forem adequadas ao teu nível.
Depois do surf, aproveita para conhecer Porto Covo ou simplesmente passa uma tarde mais tranquila na costa alentejana.
Odeceixe e Arrifana
Observa as duas praias antes de decidires onde vais surfar.
A Arrifana pode oferecer maior proteção, enquanto Odeceixe proporciona um ambiente completamente diferente devido à proximidade da foz do rio.
Carrapateira e Vila do Bispo
Na zona da Carrapateira, compara as condições na Praia do Amado e na Praia da Bordeira.
Se continuares para sul em direção a Vila do Bispo, podes também verificar a Cordoama e o Castelejo.
Escolhe a praia de acordo com o teu nível e com as condições desse dia, em vez de tentares passar por todos os spots.
O objetivo não é surfar em todas as praias. É ter opções suficientes para poderes tomar uma boa decisão.
Não existe uma praia que seja adequada todos os dias.
A Arrifana e o Amado são zonas onde é habitual aprender a surfar, enquanto São Torpes e Odeceixe também podem oferecer boas condições para iniciantes.
Antes de uma aula, um instrutor local deverá sempre avaliar as condições do mar.
A primavera e o verão oferecem, geralmente, mais oportunidades para quem está a aprender.
O outono costuma trazer ondulação mais consistente e temperaturas agradáveis, enquanto o inverno é mais indicado para surfistas experientes.
É altamente recomendável ter carro.
As praias estão distribuídas ao longo de uma costa bastante extensa e os transportes públicos não são uma solução prática para verificar vários spots ou transportar equipamento de surf.
Espero que este guia te tenha ajudado a planear a tua viagem de surf pela Costa Vicentina.
E se o teu percurso passar pela região da Comporta, vem visitar-nos à Imagine Surf School, na Praia do Pego – outro lugar incrível para surfar, desfrutar do oceano e passar algum tempo junto ao mar.

Instrutor de Surf & Fundador da Imagine Surf School
Com mais de 15 anos de experiência como surfista, criou a Imagine Surf School com o sonho de tornar o mundo melhor através do surf. Para ele, é muito mais do que apanhar uma onda — é um estilo de vida. É tornarmo-nos melhores seres humanos a cada dia. Nas suas aulas, terá a oportunidade de viver e experienciar uma ligação total com o mar e com a Natureza.
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